quinta-feira, 17 de junho de 2010

Quando frequentava a universidade, costumava parar – mais amiúde quando voltava para casa, e talvez o tivesse feito umas cem vezes – precisamente nesse lugar, e ficar perscrutando o panorama realmente magnífico e sempre chegando quase a surpreender-se com uma impressão vaga e sem solução. Um frio inexplicável sempre lhe vinha desse panorama magnífico; para ele esse quadro esplêndido era pleno de um espírito mudo e surdo... Sempre se admirava de sua expressão soturna e enigmática, e deixava para decifrá-la no futuro por não confiar em si mesmo. Agora se lembrava súbita e bruscamente dessas suas questões e perplexidades antigas, e lhe pareceu que não estava se lembrando delas por acaso. (...) Senti-a se mesmo quase ridículo, e ao mesmo tempo experimentava no peito uma pressão que chegava a provocar dor. Em algum ponto profundo, lá embaixo, que mal avistava sob os pés, apareciam-lhe agora todo aquele passado de antes, e os pensamentos de antes, e as tarefas de antes, e os temas de antes, e as impressões de antes, e todo esse panorama, e ele mesmo, e tudo, tudo... Parecia que ele havia voado para algum ponto no alto e que tudo desaparecera de sua vista... (...) depois, deu meia volta e foi pra casa. Teve a impressão de que naquele momento ele mesmo se havia amputado de tudo e de todos.

(Crime e Castigo - Fiódor Dostoiévski)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Quando o coração ironiza, mulherzinha, tudo fica assim, sem sentido. Este mesmo coração que usava uma razão apoiada no sentimento e que depois de algumas histórias, hoje usa a emoção cravada na razão. É assim, depois de algumas noites não dormidas, coração aflito e uma pose de princesa que não combina com sua realidade, a boa mulher aprende, ninguém a faz chorar. Amar loucamente só se for ela mesma. Ninguém morrerá por amor, ninguém de verdade, óbvio! Mulher de verdade sangra, mulher de verdade não nasce pronta, se arruma com o dia a dia. Aliás, mulheres de verdade existem muitas mas boas mulheres são poucas, seja ela eu ou você.
E quando a razão passa a sonhar mais que o coração, é sinal que já foi ensinado a primeira lição da didática amorosa: o amor é eterno enquanto dura.



Ausente o encanto antes cultivado, percebo o mecanismo indiferente, que teima em resgatar sem confiança, a essência do delito então sagrado. Meu coração não quer deixar meu corpo descansar e teu desejo inverso é velho amigo, já que o tenho sempre a meu lado. Hoje então aceitas pelo nome, o que perfeito entregas, mas é tarde. Só daria certo aos dois que tentam se ainda embriagado pela fome. Exatos teu perdão e tua idade, o indulto a ti tomasse como benção, não esconda a tristeza de mim, todos se afastam quando o mundo está errado, quando o que temos é um catálogo de erros, quando precisamos de carinho, força e cuidado
Este é o livro das flores
Este é o livro do destino
Este é o livro de nossos dias
Este é o dia dos nossos amores.
(O Livro dos Dias - Legião Urbana)

terça-feira, 8 de junho de 2010

Já me decepcionei tanto que cada pessoa que passo a conhecer, não crio expectativas boas. É triste mas é a verdade. Uma atenção cordial, uma gentileza que me faz tão bem, fazia, aliás, é motivo para desconfiança: “Não, não existe gentileza que dure uma vida toda". Nada dura uma vida, visão pessimista que a idade traz. Visão real da vida que é tão minha. Decepção que traz mais decepção não só com as pessoas que não sou, mas com a pessoa que sou. Ora, como quero que o mundo seja gentil e confiável comigo se eu mesma não sou fiel á mim? Trago nas lembranças uma navalha que sempre que começo a recordar, me corta, me rasga. "Não deveria ter feito nada daquilo", a navalha que me corta é a culpa. Meu estado de espírito soa jazz mais blues, com gosto de vinho e na forma de cinzeiro para um cigarro que nunca acendi. Ora, como quero outro estado de espírito sendo que o hábito faz a natureza? Minha natureza tem como hábito o abandono e mesmo que um dia o hábito seja a adoção, o primeiro que adotarei será aquele que sempre deixei de lado, eu.

quinta-feira, 20 de maio de 2010


XXII Encontro Regional dos Estudantes de Ciências Sociais
XXII ERECS - Londrina / Paraná - SUL

DATA: 03 | 06 | junho | 2010

TEMA
: “UM PROJETO DE EDUCAÇÃO, UM PROJETO DE SOCIEDADE”

LOCAL: Universidade Estadual de Londrina [UEL]

CIDADE: Londrina | Paraná | Brasil

ORGANIZAÇÃO
:
Comissão Organizadora do XXII ERECS

INFORMAÇÕES
:
● Blog - http://erecs-sul.blogspot.com/
● Perfil no Orkut - http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=91094857

CONTATO:
● erecs.uel@gmail.com
● thaty144@hotmail.com

sexta-feira, 14 de maio de 2010

“Ela é dividida contra si mesma muito mais profundamente do que o homem.(...) a mulher se conhece e se escolhe, não tal como existe para si, mas tal qual o homem a define.(...) o que o homem ama e detesta antes de tudo na mulher, amante ou mãe, é a imagem remota de seu destino animal, é a vida necessária a sua existência, mas que a condena à finitude e à morte.(...) Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade: é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam de feminino.” Simone de Beauvoir, “O Segundo Sexo”

“A maior dificuldade de uma mulher é explicar-se, colocar em termos concretos o quê, afinal de contas, é ser mulher. Qual a especificidade? Seios e vagina? A especificidade na verdade, não passa de uma palavra mágica. De um símbolo que permite a cada mulher poder extravasar o seu sufoco.(...) Este signo permite a individualização de uma percepção abstrata: as mulheres sabem que têm muito em comum, que são “específicas” em relação aos homens. Mas têm dificuldade em nomear o que sentem.” Maria Quartim de Morais e Maria Mendes da Silva, “Vida de Mulher”

quinta-feira, 6 de maio de 2010


O que foi feito amigo
De tudo que a gente sonhou
O que foi feito da vida
O que foi feito do amor
Quisera encontrar
Aquele verso menino
Que escrevi há tantos anos atrás
Falo assim sem saudade
Falo assim por saber
Se muito vale o já feito
Mais vale o que será
E o que foi feito
É preciso conhecer
Para melhor prosseguir
Falo assim sem tristeza
Falo por acreditar
Que é cobrando o que fomos
Que nós iremos crescer
Outros outubros virão
Outras manhãs plenas de sol e de luz